sexta-feira, 10 de maio de 2013

Dezesseis


Ele almoçou mais cedo, não estava a fim de ver os mesmos rostos e ouvir as mesmas conversas do almoço anterior, no coração um aperto tremendo, o certo era realmente o certo? Um misto de Raiva, dor com leves pitadas de amor. Era mais ou menos como ele se sentia um riso outro riso um enjôo repentino.
- Que isso cara? O que me tornei?
Perguntava pra si mesmo de 10 em 10 minutos sem se atrasar, já havia virado clichê a tarde um beijo, no inicio da noite um remédio e um copo de uma bebida qualquer e a noite uma solidão que ecoava pela vizinhança inteira. Do cigarro ele já tinha desistido era caro e apesar do alivio ele detestava o cheiro.
Logo ele sempre tão centrado e controlador, havia perdido as estribeiras e não sabia mais do seu valor. Uma, duas, três perdeu a conta de quantas mensagens e ligações chegavam te convidando para uma bebedeira ou sexo ou bebedeira e sexo, recusou todas sem ao menos pensar no assunto, depressão? Pressão? Ou tudo isso junto? Ninguém sabia ao certo o que tinha acontecido o certo era só que algo estava fora do lugar , aquela barba por fazer e a falta do sorriso que ninguém mais via , era prova clara e irreversível de que meu amigo estava sem forças, e por mais que tentava não conseguia se acostumar com essa ausência inesperadamente esperada.  E foi se perdendo ate não se encontrar mais, por um lado cansado de se drogar e se embebedar, por outro queria desesperadamente se lançar fora da fossa que criou, mas faltava um tranco, um empurrão uma mão que infelizmente só ele poderia se dar.